março 20, 2025

Meu Querido Limoeiro



No tumulto da noite ouvi-te partir, 

Não quis acordar. 

A doce tristeza de quem se nega, 

Sentir, 

Implacável como o vento que traz mudança. 

Uma estação fez brotar o meu amor pela vida. 


Encontrei-te estendido, 

Débil, retorcido, quase abatido. 

Terei que podar o meu coração contigo, 

para te ver crescer forte novamente. 

A mente aparente, deixando-me apenas a percepção. 


E, recordo-me de como a luz te atravessava, e cegava, 

Com — paixão, 

Mas não, não serei eu quem te vai salvar. 

Só posso cuidar, deixar cada grão cair no tempo certo, 

Pois são coisas que não devo controlar. 


Diferentes, porém, iguais, 

Vinculados no sopro da vida, 

No amargo sumo de um limão. 

E não, não é demais querer provar, 

Ainda que em vão, 

Porque só eu sei o que sinto, 

Com a dor que ensina e com amor. 


Meu querido limoeiro. 

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